segunda-feira, 23 de abril de 2012

Chronicle

Realizador: Josh Trank
Elenco Principal: Dane DeHaan, Alex Russel, Michael B. Jordan
Classificação IMDb: 7.4/10


Quando ouvi falar em Chronicle pensei: WOW! Mais um filme de super-heróis, e, apesar de não ser criação da MARVEL (da qual eu sou fanática), tinha, obviamente de ver!!
Já para não falar de uma fantástica coincidência: eu estou a fazer uma peça de super-heróis (O Septeto Fatal de Alex Cassal), e este filme não poderia ter vindo em melhor altura!
Restou-me então ver! A conclusão? Que FILME!!

Este surpreendente e extremamente curioso filme de acção realizado pelo novato Josh Trank tem algumas cenas que eu, sendo fã de anime, fiquei fascinada! É verdade, este filme tem algumas semelhanças com o célebre anime japonês: Dragon Ball. Algumas das sequências de luta em pleno voo picado fazem-nos lembrar Goku e companhia limitada.


E o que é de louvar é que parece absorver com sucesso todos os pontos fortes de produções de renome, como X-Men, colocando o nome de Josh Trank na lista de jovens realizadores a seguir com atenção nos próximos anos. Chronicle pode não ter a consistência narrativa dos melhores filmes do ano, mas é certamente um espectáculo visual que se acompanha com todo o agrado, usufruindo até de espaço para transmitir mensagens bastante interessantes.

A verdade é que este filme não ganha pela história, o plot é muito simples e não tem muito que enganar. Andrew (Dane DeHaan) é o típico rapaz adolescente que é gozado por tudo e por todos só porque sim, o típico underdog. A sua vida é um inferno e ele não sabe para onde se há-de virar. Na escola, todos o gozam e ninguém se arrisca a oferecer-lhe uma mão amiga. Em casa, o pai reformado por invalidez embebeda-se a toda a hora, fazendo-lhe a vida negra, espancando-o constantemente. A mãe encontra-se às portas da morte com uma doença fatal que nem lhe permite levantar-se da cama. Por tudo isto, Andrew desenvolve uma personalidade reservada, encontrando numa velha câmara de filmar a única escapatória possível para toda aquela miséria.


Porém, tudo muda quando ele, o primo Matt (Alex Russel) e o popular Steve (Michael B. Jordan) se deparam com uma descoberta: um grande buraco no chão de uma floresta inóspita emite estranhas sonoridades e o trio de rapazes decide investigar os seus segredos. No interior do buraco, descobrem um objecto bizarro que os deixa inconscientes.


Em vez de morrerem naquele preciso momento, os rapazes descobrem que o objecto supostamente alienígena lhes concedeu poderes extraordinários. De repente, Andrew, Matt e Steve são capazes de voar e de mover diferentes objectos com o poder da mente. E isso faz com que eles se divirtam à custa dos comuns mortais que os rodeiam. Até ao dia em que Andrew se deixa levar pelo ódio que reside no seu coração e os outros dois percebem que têm um problema para resolver…


Então, o que torna este filme diferente, interessante e tão entusiasta? Este filme recorre muito a uma técnica já utilizada em filmes como [REC] e Paranormal Activity: o «filme caseiro», e esta técnica já mostrou que encaixa muito bem nos filmes de terror. 
Chronicle prova que ela pode ainda ser reproduzida com sucesso em filmes de acção/aventura. A utilização de imagens com uma menor qualidade, o uso de imagens filmadas pelos próprios intervenientes confere ao filme mais emoção, tornando-o mais pessoal e único. O realismo inerente aos filmes que utilizam esta técnica é verdadeiramente assombroso, envolvendo-nos na história, fazendo com que nós também participemos no filme, transformando-nos nos olhos do personagem, transportando-nos para o interior da cena.


Uma critica a este filme é o facto da repentina mudança nas personagens, afectando a credibilidade dos acontecimentos. A passagem para o lado negro de Andrew está muito forçada e demasiado veloz. O filme até é bastante curto (84 minutos) para o que estamos habituados, não havia necessidade dos acontecimentos se desenrolarem de forma tão rápida, podiam deixar o filme «respirar» um pouco e deixar as personagens crescerem de forma mais natural, na minha opinião não retiraria a intensidade do filme.


Chronicle não é um produto cinematográfico de uma profundidade estonteante limitando-se a entreter o espectador com as aventuras de personagens maioritariamente previsíveis. Mas tirando estes pontos mais negativos e se despertarmos o nosso espírito de criança, não há como fugir ao facto de que este será um dos filmes mais intensos e espectaculares do ano, mais uma vez digo, não pela história mas pela sua genial realização, o «filme caseiro» adapta-se muito aqui.



A grande mensagem de Chronicle é o facto das palhaçadas de uns poderem arruinar a vida de outros, deixando-lhes marcas irreversíveis na alma torturada. Simpatizamos de imediato com a personagem de DeHaan, puxando mesmo pelo sucesso das suas acções apesar de elas não serem propriamente aceitáveis. DeHaan, de resto, surpreende tudo e todos com uma interpretação emocionalmente carregada, mostrando garra para futuros trabalhos. E a realização vibrante e corajosa de Trank é a garantia de minutos bem passados imersos em escuridão. Razão pela qual, somado tudo isto, podemos dizer que Chronicle não é um colosso, mas também está muito longe de ser um filme juvenil e inconsequente que muitos julgarão que será. Vale a pena verem!

Fiquem com o trailer:


Espero que tenham gostado!

Carina Diogo

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